Por trás das palavras


Inspiração

Gosto de escrever. Sempre gostei.

Incorporo à minha escrita uma forma pessoal e inédita de me manifestar. Expresso, à minha maneira, construções de pensamentos, ideias e – quem escreve, sabe – desafogo porções e mais porções de nós que entopem minha mente diariamente.

Enxergo na escrita minha forma de arte. Meu jeito de deixar uma tatuagem no mundo. Não necessariamente um trabalho, mas uma esfera que busco desenvolver. Acredito que todos deveriam dedicar parte de sua vida a uma forma artística.

Entendo como “arte” qualquer forma de expressão que se origina da mais pura pessoalidade. Alguns o fazem como carreira, outros como hobby. Mas, sem dúvidas, a arte precisa ter seu espaço, assim como se concilia a profissão, a espiritualidade, vida social, esportes etc.

Sou, como muitos, um admirador da linguagem. Juntar palavras não só é minha maneira de expressar o que penso, como se tornou um caminho para manifestar o que sinto.

Gosto de escrever porque é infinito. Palavras assumem significados, que mudam e alcançam diferentes pontos de interpretação. A arte vai além da precisão dos nossos sentidos; o sentimento a altera, o momento a modifica, o contexto interage.

Gosto de escrever porque a escrita flutua. Ela não é uma obra pronta, com um significado preso em si. Ela alcança em cada um diferentes interpretações, adquire em cada momento sua própria versão. Varia junto ao tempo, às experiências e às identificações.

Gosto de escrever porque crio, apago, decido por vírgulas ou ponto final. Opto por novos parágrafos ou mais travessões. Dou vida, forma e sentido a uma própria expressão de mim. E melhor – que pode encontrar em outros uma nova tradução.

Assim sigo escrevendo. Sem especializações ou gêneros, apenas me permito manifestar. Deixo para cada momento sua própria forma de inspiração, forma e conteúdo.

Encorajo a quem estiver disposto a me ouvir que realize suas próprias publicações pessoais. Escritos, desenhos, fotografias, músicas, seja o que for. Tudo que nós exteriorizamos leva consigo parte de nossa essência – do que somos, sentimos, pensamos e do que temos a oferecer de diferente.

A arte que nasce em mim, toma forma em si, e ganha vida em ti. Toda contribuição artística pressupõe o mesmo valor: nutrir a vida – de muitos, de um ou em si.

(Marcelo Penteado)

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Sobre Marcelo Penteado

My writing may speaks for me: https://www.facebook.com/sigoescrevendo

3 Respostas para “Por trás das palavras

  1. Li seu texto algumas vezes. Leituras feitas em dias e momentos distintos. Analisei cada palavra, tão bem colocada, tão bem escolhida. Percebi contornos de profunda inspiração. Poderia dizer que me parece – divina. Divina inspiração! Esta parte -“A arte que nasce em mim, toma forma em si, e ganha vida em ti. Toda contribuição artística pressupõe o mesmo valor: nutrir a vida – de muitos, de um ou em si.” – encerra o texto com a delicadeza artística das obras de Monet e uma sutileza, no manuseio das palavras, que se assemelham ao poeta português Fernando Pessoa, neste poema…

    Não sei quantas almas tenho

    Não sei quantas almas tenho.
    Cada momento mudei.
    Continuamente me estranho.
    Nunca me vi nem acabei.
    De tanto ser, só tenho alma.
    Quem tem alma não tem calma.
    Quem vê é só o que vê,
    Quem sente não é quem é.

    Atento ao que sou e vejo,
    Torno-me eles e não eu.
    Cada meu sonho ou desejo
    É do que nasce e não meu.
    Sou minha própria paisagem;
    Assisto à minha passagem,
    Diverso, móbil e só,
    Não sei sentir-me onde estou.

    Por isso, alheio, vou lendo
    Como páginas, meu ser.
    O que segue não prevendo,
    O que passou a esquecer.
    Noto à margem do que li
    O que julguei que senti.
    Releio e digo: “Fui eu?”
    Deus sabe, porque o escreveu.

    Muito obrigada por encantar meus dias com seus textos!

    Márcia Moraes

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  2. Letícia Azevedo Guimarães

    Lindo poema!!! Aliás, vários do que tive o prazer de ler são, sim, e muito, significativos. Nunca tive a pretensão de escrever, apesar de que, sempre estive no meio desta arte, pois minha mãe, que já não está mais neste plano era uma poeta nata. Para seu ego escreveu um livro de poesias, na qual reuniu sua arte e dos seus, numa linda lembrança deixada àqueles que aqui continuam. Confesso que lendo este poema vou rascunhar o que passou pela minha mente. Parabéns!

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  3. Mariele Barbosa Rocha

    Seus textos são lindos e suaves. Me ajudou a relembrar que eu também gosto de me expressar escrevendo, é a melhor forma que eu encontro de me expressar, e de resolver problemas internos. Então porque não voltar a praticar essa atividade… Obrigada pela inspiração!

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