One day I decided to travel and I never came back


Faro, 2011

One day I decided to travel and I never came back.

Not due to defiance or wanting to stay; but simply because I changed.

I crossed borders that I never thought I would. Neither on the map, nor in life. I went so far that looking back wasn’t even comforting anymore, it was motivating.

I met people that I can call teachers and gained knowledge that no book could ever teach me. Not because it was a secret but because it was never written.

In my life’s dictionary, I added new meanings to education, fear and respect.

I relearned the value of a few gestures. Like when you’re a kid, the spontaneity of smiles and expressions enforces the most universal form of communication there is – the language of the soul.

I was sheltered by different people, families, strangers, benches and parks. Between floors and humans, both capable of being just as cold or uplifing.

I’ve been through streets, stations, airports and I’m proud to say that I find difficult remebering all their names. My memory shares my desire to freshen up with new and old adventures.

I made real friends. The friendships you make on the road do not fade in space or time. Friends that confront the vast distances and challenge the long years. These are friendships that endure through summers and winters due to the certanity of new encounters.

I lived beyond my own imagination. I shattered expectations and accumulated intangible wealth. I allowed my body and soul to try other states of living and consciousness.

I rediscovered what really fascinates me. I felt intense goose bumps and gave space for my heart to beat faster than my regular daily routine would ever allow.

And you know what?

I began to understand a different meaning of what it is to miss something. Just like we are sometimes, it can be harsh. But I promise you that I can be more than that. Actually, it can be something beautiful.

Knowing that, I reevaluated some of my hugs, gave more respect to some of the words I’ve spoken and I fell in love even more with my friends and family.

Yet, I still have a lot to learn.

If anything, all these experiences drive the certainty of only one thing – I still have a lot of places to see, people to cross paths with and knowledge to discover.

One day I decided to travel…

and it was from that moment on that I realized that any trip is one-way only.

(Marcelo Penteado)

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Enquanto todos passavam


2013-09-26 12.30.05

Peguei o metro que nunca pego, saltei na estação que nunca salto, e caminhei como nunca – calmo. Sem pressa, parei.

O vento, como um filho bastardo de um inverno qualquer, me convenceu a tomar um café. Sozinho, e, no meio do caminho, eu parei.

Sentei-me como forma de declínio. Alterei meus próprios planos sem aviso prévio e cessei minha trajetória. Refutei, me opus, resignei. Repentinamente, saí da rota. Alguns olhares até me reprovaram enquanto seguiam.

Foi quando parei enquanto todos passavam. De fora, vi a pressa no pisar de cada passo impaciente. De longe, uma ansiedade urgente em olhares que, se por segundos me encaravam, logo tornavam a mirar além. E iam.

Antes a lentidão daquele meu pequeno presente à sofreguidão daqueles rastros insensatos. Eles parecem renunciar ao momento! Mal digeriram o passado e já nem mastigam o futuro. Dispersos!

Enquanto isso, eu vi. Alienei-me por opção.

E não há meio termo para o porvir. A sincronia perfeita dos acontecimentos é reveladora. Eu poderia estar olhando para a direita e não para a esquerda; ou até mesmo amarrando os sapatos, com minha vista entornada para baixo. Mas não.

Quando passou por mim, logo senti. Não poderia haver outro momento. Isenta ao vai e vem interminável de pessoas pelo salão; imune entre a esquizofrenia incessante desses átomos civilizados. Pude percebê-la na frequência mais baixa.

A inspiração não foge. Muito pelo contrário. A inspiração está entre nós. Infiltrada em nossos caminhos, camuflada em nossa cegueira, despercebida em nossa insensibilidade. Ela caminha segura de si e, pior, só se entrega para quem olha em seus olhos.

E, então, parado, pude ver. A própria bondade de alguns instantes. Vi o amor caminhando nas mãos dadas de desconhecidos amantes, vi pais e filhos indo a uma mesma direção e vi pessoas que, por instantes paravam, e logo seguiam. Vi a própria vida – plural, indiferente e contínua.

Quando parado, percebi que a vida só precisa mesmo é de atenção. O que muitos acham que são por acaso, tantos outros acham que são o destino. Se me perguntam o que acho, para ambos sorrio.

 (Marcelo Penteado)

Um mês


Paris, 2013

Há um mês comecei algo. Dei voz, confiei. Fui em frente.

Acreditei, e fiz.

E, em um mês, muito pode acontecer. E acontece. Uma vida muda, muitas acabam e outras nascem. Renascem. Ciclos se iniciam, dão vez a outros e novos caminhos se apresentam para velhos olhares.

Lá se foram mais quatro semanas. O tempo realmente voa. Se tanta coisa aconteceu na minha vida, imagina no mundo. Quantas coisas não foram perdidas e conquistadas? Quanto valor não foi descoberto e quanta vida não foi mudada?

Por quantas pessoas eu não cruzei na rua? Tudo que passei, poderia agora ser diferente.

Há trinta dias eu era outra pessoa. Em algum outro tempo, em outro lugar, convivendo com alguns sentimentos e sendo bombardeado por outros pensamentos. Alguns seguem, outros já perderam sentido. Piadas e tragédias flutuam na bipolaridade do mar dos pontos de vistas.

Em um mês fiz tantas coisas. Boas, ruins; sinceras, forçadas. Entre o orgulho e o arrependimento está o selo do fato – passou. A vida mudou. Não presenciei grandes eventos nem grandes milagres. Foi só o tempo que passou. E com ele, a faxina que expurga tudo aquilo que não tem raiz para ficar.

Quantas verdades agora já me contradizem; quantos dias não foram marcantes. Um mês é muito tempo, e um dia também. Uma hora é, sim, muito tempo. A mudança não precisa de muito, ela só precisa ser.

Um momento, agora.

Há um mês, criei este presente. Tão definitivo quanto instável. Que já vai passar.

(Marcelo Penteado)

Manifesto Viajante


Barcelona, 2011

O que eu quero não está na televisão e não há publicidade que possa me entreter – sequer a dou ouvidos.

O que eu quero só se pode sentir em movimento.

Nas idas sem voltas de novos caminhos, no ineditismo de boas caminhadas ou nas janelas que me oferecem vistas cintilantes.

O que quero só se pode sentir no silêncio incomunicável de um pôr do Sol que – posso jurar – não há câmera que o reproduza.

O que eu quero é presenciar a liberdade de me sentir tão solto e perdido, em meio a pessoas que não conheço, paisagens que não estou acostumado e climas que me são estranhos.

O que eu quero é sentir novamente a carência de rigores, que me desconecta de preconceitos e padrões, que me permite ser a versão mais sincera de mim.

O que eu quero é deixar meu olhar curioso.

Sorrir com espontaneidade, sentir minha sobrancelha arquear-se e desembrulhar cada minuto do meu dia como se fossem cartas embaralhadas pelo destino.

O que eu quero só se pode sentir na condição de carona – é quando o que estava rápido desacelera, uma porta se abre e o resto não mais importa.

Compartilhar momentos memoráveis com pessoas de outros países, continentes e realidades. Quando não descobrimos novas aventuras, descobrimos a nós mesmos. Ser diplomata da vida.

O que eu quero só se pode sentir depois de conversar horas com estranhos, beber novas culturas e brindar com novas palavras. Grandes amizades nascem assim. E amores também.

O que eu quero é aprender novas línguas – não para falar, mas para ouvir mais. Mergulhar em novos conhecimentos, sobrevoar novas religiões e pescar novos sentidos que me façam dar, à vida, uma chuva de significados.

O que eu quero…

O que eu quero só se pode sentir depois de percorrer estradas sem nenhum turista, subir montanhas com lendas locais e descobrir que tudo, na verdade, é especialmente único e perfeito. É descobrir que onde poucos chegam, muitos se encontram.

O que eu quero só se pode sentir depois de dormir em diferentes lugares e acordar olhando para tantos outros tetos. Ou às vezes estrelas – desprender-me: a liberdade de não pertencer a nada me permite, potencialmente, pertencer a tudo.

O que eu quero é silêncio.

Um momento presente de paz; e me conhecer. Gritar para o mundo que sou seu filho e escutar meu chamado ecoar, sem barreiras, até perder-se.

O que eu quero é ir mais longe, sentir o vento redesenhar meu rosto e ser contemplado com uma paisagem que me faça tirar os meus óculos escuros.

O que eu quero só se pode sentir quando o coração é a bússola. Das bandeiras que capitaneia minha alma; do sangue de explorador que desvirgina minhas veias – a livre e amaldiçoada necessidade de lograr novos horizontes.

O que eu quero viola preconceitos, visões pequenas e raízes profundas. À qualquer julgamento prevaleço calado. E sigo.

O que eu quero é viajar; mas viajar de verdade, com verdade e por novas verdades. Despir-me de fronteiras e rotas – ser um sopro de vento entre árvores. Tão livre e tão cativante.

O que eu quero, mesmo, é olhar para frente e saber que amanhã estarei lá.

(Marcelo Penteado)

Berlim


Berlim, 2013

O que é Berlim se não uma própria indefinição?

Não que me faltem palavras – ao contrário – sobrariam.

Uma cidade anfitriã à sensibilidade daqueles que são passageiros. Que flertam com o que não é definitivo.

Um local onde os porquês não se explicam, se fazem sentir.

O que é Berlim se não uma cidade além de qualquer descrição?

Sua própria história tem diferentes versadores, becos e lacunas. Quem sou eu para contá-la?

Tentar explicar Berlim é um labirinto de sabotagens.

Berlim tem a ver com sentidos. Sua beleza é mais que artística, é poética.

Se Berlim pudesse falar, talvez ficasse calada. Em seu silêncio, já o comunica suficiente.

Pois,

O que é Berlim se não a própria vida após a morte?

Uma eterna reconstrução. Berlim tem no silêncio de suas ruínas um grito de independência.

É um manifesto sombrio de luz e autorreflexão – coração e alma da própria história.

Talvez, entre idas e vindas, a alma de Berlim acostumou-se a ser livre e, entre poucos momentos, eu pude tocá-la.

(Marcelo Penteado)

Ao que é bem-vindo

A arte que nasce em mim toma forma em si e ganha vida em ti.
setembro 2013
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