sigoescrevendo

Um manifesto de palavras sob a regência de cada momento.



Paris, 2013

Há um mês comecei algo. Dei voz, confiei. Fui em frente.

Acreditei, e fiz.

E, em um mês, muito pode acontecer. E acontece. Uma vida muda, muitas acabam e outras nascem. Renascem. Ciclos se iniciam, dão vez a outros e novos caminhos se apresentam para velhos olhares.

Lá se foram mais quatro semanas. O tempo realmente voa. Se tanta coisa aconteceu na minha vida, imagina no mundo. Quantas coisas não foram perdidas e conquistadas? Quanto valor não foi descoberto e quanta vida não foi mudada?

Por quantas pessoas eu não cruzei na rua? Tudo que passei, poderia agora ser diferente.

Há trinta dias eu era outra pessoa. Em algum outro tempo, em outro lugar, convivendo com alguns sentimentos e sendo bombardeado por outros pensamentos. Alguns seguem, outros já perderam sentido. Piadas e tragédias flutuam na bipolaridade do mar dos pontos de vistas.

Em um mês fiz tantas coisas. Boas, ruins; sinceras, forçadas. Entre o orgulho e o arrependimento está o selo do fato – passou. A vida mudou. Não presenciei grandes eventos nem grandes milagres. Foi só o tempo que passou. E com ele, a faxina que expurga tudo aquilo que não tem raiz para ficar.

Quantas verdades agora já me contradizem; quantos dias não foram marcantes. Um mês é muito tempo, e um dia também. Uma hora é, sim, muito tempo. A mudança não precisa de muito, ela só precisa ser.

Um momento, agora.

Há um mês, criei este presente. Tão definitivo quanto instável. Que já vai passar.

(Marcelo Penteado)


8 respostas para “Um mês”

  1. “…o tempo…a faxina que expurga tudo aquilo que não tem raiz para ficar.” Bela definição do tempo. É o nosso melhor amigo muito embora a gente não acredite nisso.

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  2. É isso mesmo. Gostei da valorização da hora, porque realmente é muito importante – muitas coisas podem acontecer nesse período tão curto… Aproveitá-lo é fundamental – na verdade, valorizar cada momento presente…

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  3. Um presente para este autor tão talentoso, que nos presenteia, há um mês, com a sua arte sincera, deslumbrante, encantadora: seu textos. Muita paz!

    Márcia Moraes

    Poética

    De manhã escureço
    De dia tardo
    De tarde anoiteço
    De noite ardo.

    A oeste a morte
    Contra quem vivo
    Do sul cativo
    O este é meu norte.

    Outros que contem
    Passo por passo:
    Eu morro ontem

    Nasço amanhã
    Ando onde há espaço:
    – Meu tempo é quando.
    Vinicius de Moraes

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