Traveler’s manifest


Barcelona, 2011

What I want isn’t on television and there’s no advertising that can seduce me – it barely grabs my attention, if anything.

What I want can only be felt on the go.

In new paths that offer no return, in the novelty of long walks and through the windows that deliver breathtaking views.

What I want can only be felt in the speechless silence of a sunset that – I can guarantee – no camera can reproduce.

What I want is to cherish the freedom of letting go and being lost, around people I don’t know and sceneries that I’m not used to, under the different lights of the ever-changing skies.

What I want is to feel again the lack of requirements, so I can disconnect from the status-quo and rigid standards, which allows me to be a more sincere version of myself.

What I want is to embrace my inquisitive eyes.

Smile like I mean it and feel my eyebrows arch in astonishment during every minute of my day, as if they were shuffled cards dealt by fate.

What I want can only be felt when you’re a passenger – it’s when everything that’s moving fast suddenly slows down, a door opens and nothing else matters.

Share unique moments with people from different countries, continents and realities. If we don’t discover new adventures, we discover ourselves. I want to be a diplomat of life itself.

What I want can only be felt after long hours talking to strangers, savoring new cultures and toasting to new words. Great friendships are born in moments like these, and also great romance.

What I want is to learn new languages – not to talk to more, but to listen more. Dive into new knowledge, flirt with new religions and steer in new directions that give my life a wide range of new meanings.

What do I want…

What I want can only be felt after traveling through roads with no tourists, hiking mountains with local legends and to discover that everything actually is unique and perfect. I realized that where few people reach, many find themselves.

What I want can only be felt after sleeping in different places and waking up staring at different ceilings, or maybe even stars. To simply let go: the freedom of not belonging to anything or anyone allows me to, potentially, belong to everything.

What I want is silence.

A present moment of peace; and to truly know myself. Yell to this planet that I am your son and listen to my call echo away until and listen as it fades.

What I want is to go even further, feel the wind reshape my face and contemplate a sight that imposes me to remove my shades.

What I want can only be felt when the heart is my compass. It directs the sails that guide my soul with the explorer’s blood that boils through my veins. My careless cursed necessity of crossing new horizons.

What I want violates prejudice, small minds and deep roots. If faced with any judgment I shall remain silent and move on.

What I want is to travel, but to really travel. To divest myself of any frontier or route – to be the wind that blows in between the trees. So captivating and free.

What I really want is to look forward and know that I’ll be there tomorrow.

(Marcelo Penteado)

Imagina


Paris, 2013

Imagina se um dia sua sinceridade acorda de mau humor.

Resolve romper este silêncio reprimido que o império da convivência social impõe sobre as suas próprias fronteiras.

Imagina, que no teatro da sua vida, a sua sinceridade cansou de ser a árvore no fundo do palco. Em meio ao espetáculo de palmas forçadas, imagina se ela se cansa e, no refrão da música, resolve abandonar.

Quando a sinceridade chegasse ao camarim, tomaria um susto ao não se enxergar no espelho. Irreconhecível. Estaria ela camuflada, maquiada, com seus movimentos programados. A fantasia que lhe vestia era o cárcere que lhe privara. Eram tantas raízes que sequer podia andar.

Logo a demagogia viria tentar convencê-la a repensar. Aquela conversa morna, tendenciosa e frívola. Argumentos que, de tão enferrujados, infeccionam as vontades mais sinceras como tétano e submetem o arbítrio a uma coerção comportamental.

Agora imagina que sua sinceridade está obstinada. Suponha que ela tenha conseguido resistir e passou a apenas desejar “bom dia” para os verdadeiros bons dias.

Se o dia pudesse falar – imagina – será que ele não agradeceria à sinceridade por ter sido, finalmente, tão decente?

Assim, pouco a pouco, ela ganharia força, confiança. Promoveria discursos inflamados; incitaria as vontades mais sufocadas. Não demoraria muito para que sua sinceridade lutasse, também, por você.

Sua influência e integridade liderariam uma verdadeira cruzada. Ela conduziria uma marcha de libertação e invadiria seu coração com a ideologia das boas verdades, expulsando angústias, desapossando mentiras e alforriando lágrimas.

E se tudo isso acontecesse, tão real quanto agora, não lhe agradeceria a felicidade por tornares tu a mais crível das companhias?

(Marcelo Penteado)

Sempre bom lembrar


Rio de Janeiro, 2013

Chove de manhã. O céu também pode ficar nublado. Se até o tempo varia, como nós não haveríamos de mudar? O pássaro que antes cantava, agora dorme. O outro voou.

O dia mal começou e já estou acordado, tão diferente e disperso de horas atrás. A noite passou e o sono também. O que não passa?

E assim a vida segue; passam-se oportunidades, momentos e fica para trás o que não é escolhido. Mas do que importa? A vida segue.

Festejos se vão, sorrisos se perdem, sentimentos enfraquecem – só é eterno o que é diário. O tempo só teme a constância.

O que ouvi, passou; o que eu vi, já vi; do que já vivi, passado.

Mas o tempo há de mudar, ele sempre muda.

E esta dor passa. O calor volta e a cara muda. O presente se eterniza a cada segundo.

Pois, como não hei de amar o que faço? Como não hei de fazer o que amo?

E quando não amo, a vida também há de seguir. Com ou sem, arrependido ou não, a vida vai seguir.

E, às vezes, não sei. Às vezes não, por muitas vezes. Com o tempo não se briga, se aprende. Afinal, temos um contrato vitalício de convivência.

Sei mesmo que em cada momento há um significado a ser buscado – no sim, no não, no talvez, sempre.

Por mais que às vezes nos falte um chão ou nos sobrem asas; por mais que não tenhamos a compreensão; em meio a um sonho ou a um pesadelo a vida, simplesmente, continua.

Convicta, irredutível, ferrenha – ela segue.

Quero mais que ela siga mesmo; e, mesmo que não quisesse, ela seguiria ainda assim.

(Marcelo Penteado)

Eu curto, tu curtes, a vida encurta


Palma de Mallorca, 2013

Ou não percebi que a vida trocou suas roupas ou eu ando meio offlline demais.

Meus valores entraram em coma e os tempos se desenham confusos. Costumava acreditar que compartilhar significava doar. No meu viver, o que eu curtia pouco tinha a ver com o que aos outros eu demostrava.

Então algo aconteceu.

Publicar tornou-se um divisor de águas. Um selo que autentica e desqualifica a própria vida. Uma projeção irreal de doces mentiras. A privacidade virou clichê.

Parece que a vida ganhou novos planos. A felicidade agora não se contenta mais com o momento. Ela é vaidosa, precisa ser vista por outros olhos, comentadas por outras bocas. Quer expandir-se a cada curtida. O que antes era fato, hoje é foto.

Temo que desaprendi algumas velhas maneiras.

Em tempos de exposição, o sorriso é pop. Reflete o flash enquanto a pose não perde tempo. Somos a versão editada e replicada de nós mesmos. Nos aplicamos filtros e nos definimos em poucas palavras. Micro caracteres ansiando por macro exposição.

Amizades agora se solicitam. E, assim, se aceitam! Pessoas reduzem-se a nomes; contatos reduzem-se a cliques; relacionamentos através de conexões invisíveis. Eu sigo, tu segues – onde vamos parar?

Agora posso saber de tudo. Por onde anda, com quem estava e quando foi. O massacre da curiosidade esvazia o valor das perguntas. Se o olho passa a fiscalizar tantos fatos, para que vai olhar em outros olhos?

E nada para.

A angústia é em real time porque sempre há alguém fazendo questão de vociferar si mesmo. A vida virou uma feira e cada qual com seu stand propagando seus eventos. Um leilão de felicidade medido por votos de inveja branca.

Pior, nossa biografia em constante construção é continuamente avaliada. Podemos ser aprovados ou menos acolhidos. Nosso sentimento de pertencimento passa a ser guiado pela repercussão das nossas difusões virtuais. Uma “tabloidização” das mais vulgares da vida regular.

E assim a vida tem seguido. Reduzida às curtidas. Encurtando-se. Roteirizando-se por caminhos de vidro. Uma transparência maquiada, explanações dissimuladas e inconvenientes.

Neste reino de aparências o ego e a vaidade se travestem de alegria.

A felicidade tornou-se um espetáculo, que tem prazer em se exibir. Um teatro vago e lamentável. Insuportável. Mas que vivência mais tangível!

Ou, de repente, a vida realmente trocou suas medidas ou, de fato, ando offline demais.

(Marcelo Penteado)

Ao que é bem-vindo

A arte que nasce em mim toma forma em si e ganha vida em ti.
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