Cultura Souvenir


Rio de Janeiro, 2014

2014, Rio de Janeiro

Para quem viaja, é muito comum deparar-se com a questão “como é o povo tal?” ou “como as pessoas agem em determinado país?”.

Infelizmente, é normal ouvir respostas sobre essas perguntas. Há quem use a experiência de ter estado em um lugar para singularizar comportamentos e atitudes.

Reduzir um país, uma cultura e suas pessoas a uma experiência é tão grave equívoco quanto acreditar que o hino representa a totalidade de suas histórias. A generalização possui o mesmo gene do preconceito. Falsas verdades são criadas pela irresponsabilidade de visões reduzidas a categorizações.

Viver uma viagem é exatamente o oposto. É possível livrar-se da cadeia invisível de comportamento coletivo e observar, plenamente, as individualidades em ação – ou reação. A observação, por si, desobstrui as portas que o julgamento teima em fechar.

Sair da rotina, esquecer horários, padrões e etiquetas. Viajar permite negar o óbvio e navegar por entre e além dos estereótipos mais rasos.

Ao compartilhar uma experiência cultural, deveria se prestar o máximo cuidado para não tornar o fato uma verdade, nem doar às opiniões os trajes do indiscutível.

O discurso preguiçoso busca auxílio em jargões. No entanto, é preciso estar ciente que qualquer tradição é egoísta: sua existência depende da insistência em contar as mesmas histórias.

Por mais que a convivência seja, em inúmeras vezes, através de interações com instituições, a essência de qualquer relação está no contato humano.

Países são pessoas. Estados são pessoas. Culturas são pessoas. São elas que importam. Isto é, apesar dos hábitos praticados por grupos, na raiz mais íntima de cada um há a potência inata de fazer existir sua individualidade.

Mesmo com toda semelhança, nenhum entendimento tem poder de verdade.

(Marcelo Penteado)

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Sobre Marcelo Penteado

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2 Respostas para “Cultura Souvenir

  1. Sérgia de Lima Juraski

    Sabe Marcelo, nem mesmo nossa cidade, por menor que seja, ou até nosso bairro, nós não conseguimos definir, descrever, esmiuçar. Um país então… outra língua, outro passado, outras gentes, outro clima, comidas, leituras, estórias… E numa viagem de poucos dias temos apenas uma visão fugaz de algo que passa por nossa janela. Mesmo assim, viajar é muuuiiito bom.

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  2. Roberta Lais

    Um texto breve com um conteúdo riquíssimo . Eu não diria todas para não generalizar, mas se boa parte das pessoas pensassem assim já era o suficiente para termos uma cultura diferente.

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