Quanto ao quando


2014, Santiago

Quantas vidas já não deixei para trás…

Na não ida de uma viagem, no retorno de um sonho. No regresso imperial da lucidez.

Quantos eus já não morreram, com os segredos que nunca contei, daquelas noites que mal dormi?

E quanto ao quando, para não dizer nunca, disse adeus por sequer tentar.

Quantos fins já insisti, vivendo-os, plenos, em meu pensar. Deixando-os livres ao meu querer.

Tudo o que trouxe da hipótese, a escolha e conclusão. Secreto à todo o resto que se desenrola no vazio.

Embora nunca, o talvez existe.

(Marcelo Penteado)

Troca de sentidos


 

 

2014, Teresópolis

Faço muito que não foto. Tanto, que não foco. Muito que não conto. E, talvez, pelas não vielas do fato, exista a essência mais expressiva da presença. O momento único, contínuo e intraduzível.

Quando, ao final, o sentimento despede-se, pelo viés da memória ou aos braços da história, o que se conta é repaginação mais traiçoeira de uma inocente vontade de querer dizer o que deveria se contemplar.

(Marcelo Penteado)

De repente


2014, Cusco

De repente e, dia após dia, ele queria ser grande. A vontade de crescer, o descontentamento com a idade. O tamanho não compartia tamanhos anseios. Os desejos de ser eram maiores do que se era. Um outono por ano ainda parecia insuficiente. Queria mais, e cada vez mais rápido.

Como se o tempo não passasse o suficiente.

Queria pular o que não havia nem visto. Lembrar o que não viu ou até mesmo ser sem sequer ter sido. Queria ter sentido, sem antes sentir. Sem enquanto, nem durante, nem nunca.

Criança deixou de ser quando ainda era. Um dia, grande queria ser em pensamentos. Logo eram desejos transformados em palavras. Cresceu despercebendo a beleza em ser exatamente o que se era.

Ao olhar para o futuro, as vontades e os desejos, não o deixavam sentir os problemas que só o presente é capaz de oferecer. As brincadeiras viviam a realidade pelo ombro da fantasia. Como era bom ser gente grande, quando ainda não se se era.

Cresceu, de fato. Ora grande, quando só, lembrou de anseios como se pensa em besteiras. Ao olhar para as paredes, fotos soltas em histórias antigas. Parte do que esqueceu-se de esquecer por inteiro.

Eram lembranças querendo atenção. Nada que o tempo não leve. Ele sempre levou.

( Marcelo Penteado )

Ao que é bem-vindo

A arte que nasce em mim toma forma em si e ganha vida em ti.
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