Ensaio sobre a mudança


2015, Uruguai

2015, Uruguai

Para entrar em uma rota de crescimento é preciso estar disposto a desapegar.

Isso significa abrir mão de padrões conhecidos em favor da transformação. Significa desarmar a própria inércia, desconforto e resistência.

Equilibrar-se em movimento.

Definições, quando perdem o vínculo da convicção, abrem espaços sem querer.

Por sua vez, espaços vazios são gentis às mudanças de forma. Assim, um novo olhar. Outro ângulo ou perspectiva. O conhecimento, em sua única essência, é expansivo.

Em algum momento e por (in)consequente razão, nós os direcionamos valores.

Invariavelmente, um novo patamar criará seus próprios mecanismos para se fazer padrão. Nós alimentamos isso. E antes que se diga errado, é meramente natural.

A sombra da recompensa é a segurança. A aventura só é tão atrativa por ser um respiro mais forte que a pausa.

Até para os olhos que não querem ver, a certeza cansa. O novo se permite quando a raiz da mudança emerge na consciência.

(Marcelo Penteado)

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Como é bom lembrar!


2015, Colônia del Sacramento, Uruguai

2015, Colônia del Sacramento, Uruguai

Existe tanto ‘onde’ por conhecer, ‘quandos’ por acontecer e ‘comos’ por tentar, que sequer estranho o incessante desejo por viajar. 

Cruzar a partir do zero, da vontade à experiência. Tudo que se vive muito além do projetado, do imaginável. O fascínio em descobrir não uma nova esquina, se não a aventura em descobrir-se face à novos contrastes.

Pensamentos se movimentam na direção dos próprios passos. Caminhos não usuais, nem para o corpo, nem para a alma. Talvez por isso as caminhadas sejam tão curiosas quanto revigorantes.

O afastamento do conhecido reacende possibilidades. Quando o olhar mais íntimo desfoca outras visões, faz-se o tempo de reavaliar o fundamento precedente da certeza.

Viajar é descobrir nossos próprios pontos turísticos, ao ponto de visitar e admirar o que de mais único há em nós, livre do descaso que existe no olhar da rotina.

Cada mergulho na introspecção é uma fronteira que se expande. O silêncio de cada cidade. Uma memória em vias de gestação, ora uma nostalgia que se anuncia.

O sentimento – arejado. Muito alívio, poucas palavras.

(Marcelo Penteado)

Ato Falho


2014, Curitiba

2014, Curitiba

Todo mundo anda meio perdido. (Nem que seja um pouco). Ou apenas um parênteses.

Um generalismo com licença poética, embora absolutamente realista. Uma afirmação de fácil discordância, não fosse pela sensibilidade dos olhos em traduzir almas.

Talvez pelo excesso de opções. A falta de ordem, o transbordamento de desejos. Regamos ausências com doses de vontades. Expectativas. Um novo, um outro, que não agora. Nada, agora, parece suficientemente pleno. Digno de coexistir à própria respiração.

Perdidos. Pela falta, ou pelo oposto. Temente ao medo que há na lacuna das incertezas. Medo de ter certeza. Escolher, pois, deixar de lado. Um passo que se dá é um infinito que se altera. O universo presente em cada detalhe.

Ninguém sabe, exatamente, onde a estrada leva. Previsões são possibilidades. Estradas são metáforas. Até o futuro, por outro lado, é apenas um fato atrasado. A realidade se constrói nas desconstrução do tempo – a isso chamamos momentos.

A vida é um plural de instantes que se encontram. Sentir-se perdido não é o problema, nem um tormento. É uma percepção irrelevante. O que não se pode perder, ao contrário, é a pluralidade que subverte o enquanto.

(Marcelo Penteado)

Mel


2014, Curitiba

2014, Curitiba

Desperta um homem pela manhã. Seus lentos olhos abrem, embora já atrasados para a cidade. Levanta-se, o homem, puxado, recorrido pelos anseios venenosos que o tiram o sono.

Ao banho, seu traje, hábitos de homem. Cruza cômodos, incômodo, deixando para trás sua oportunidade de descanso. Na cozinha, o último respiro. Busca ao redor, entre armários, dentro da geladeira – respostas, saídas.

Do que alimentar-se, quando o apetite falha?

Enxerga, o homem, um frasco de mel. Doce, saudável, um suspiro de vida. Em um canto isolado, uma garrafa indecisa. Convidado, caminha até ela, com olhar de agrado.

Segura-a, cai-se em surpresa: pares de formigas boiam, mortas, em plena recompensa ao êxtase – supõe. Mumificam-se, reféns de um sonho glorioso, na atmosfera mais abastada e afortunada de suas perspectivas.

Boiam, mortas.

Pequeno demais o mundo. Os sonhos. Do tamanho de uma garrafa. Doces crenças. O silêncio do universo coube naquela cozinha. O silêncio da percepção de um homem sobre sua natureza.

(Marcelo Penteado)

Sabedoria de Pétalas


2014, Peru

2014, Peru

“Acrescente um pouco de nada à sua vida”, me disse um sábio, que não existe – “pois no vazio despretensioso que se cria no enquanto, quem sabe um vento não enxuga seus olhos.

Pensamentos também nascem quando a rotina se esquece.”

(Marcelo Penteado)

Ao que é bem-vindo

A arte que nasce em mim toma forma em si e ganha vida em ti.
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