Arte


2015, Rio de Janeiro

2015, Rio de Janeiro

           

Um quinto a menos. Assim, devido a simetria numérica do equilíbrio que dança. O uísque ao gelo, a orquestra ao fundo. A canção plena, os sentidos vagos. O significado sensorial, perdido no ar.

O tempo segue, independente aos lapsos. Um passo amargo, uma memória mal tragada. Cá uma tosse. Vasta manifestação do desconforto – agudo, implícito, sentido, chorado.

Outro parágrafo. Outro momento. As cortinas abrem e a luz assusta. O incômodo recepciona, até a música reagir. Urgir. Pelo toque ao novo palco. O respiro, pois, entorpecente. Os músculos, a alma. À vontade em estar.

Mais baixo, logo enquadra-se o cenário. Pela regência, que, agora. A precisão do instante desconhece o atraso. Desnuda ao acaso. Lapida-se enquanto dilacera-se, inata ao pulsar mais vivo.

Decorre-se o que se vive. Enquanto vive, enquanto vida. O eclipse entre o sentimento e a sensação. A emoção desguarnecida, por natura, plena.

Vazia ao ensaio.

Um instante de esplendor – que somente a imprudente latência das palmas confunde ao abafar.

(Marcelo Penteado)

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Berlim


Berlim, 2013

O que é Berlim se não uma própria indefinição?

Não que me faltem palavras – ao contrário – sobrariam.

Uma cidade anfitriã à sensibilidade daqueles que são passageiros. Que flertam com o que não é definitivo.

Um local onde os porquês não se explicam, se fazem sentir.

O que é Berlim se não uma cidade além de qualquer descrição?

Sua própria história tem diferentes versadores, becos e lacunas. Quem sou eu para contá-la?

Tentar explicar Berlim é um labirinto de sabotagens.

Berlim tem a ver com sentidos. Sua beleza é mais que artística, é poética.

Se Berlim pudesse falar, talvez ficasse calada. Em seu silêncio, já o comunica suficiente.

Pois,

O que é Berlim se não a própria vida após a morte?

Uma eterna reconstrução. Berlim tem no silêncio de suas ruínas um grito de independência.

É um manifesto sombrio de luz e autorreflexão – coração e alma da própria história.

Talvez, entre idas e vindas, a alma de Berlim acostumou-se a ser livre e, entre poucos momentos, eu pude tocá-la.

(Marcelo Penteado)

Por trás das palavras


Inspiração

Gosto de escrever. Sempre gostei.

Incorporo à minha escrita uma forma pessoal e inédita de me manifestar. Expresso, à minha maneira, construções de pensamentos, ideias e – quem escreve, sabe – desafogo porções e mais porções de nós que entopem minha mente diariamente.

Enxergo na escrita minha forma de arte. Meu jeito de deixar uma tatuagem no mundo. Não necessariamente um trabalho, mas uma esfera que busco desenvolver. Acredito que todos deveriam dedicar parte de sua vida a uma forma artística.

Entendo como “arte” qualquer forma de expressão que se origina da mais pura pessoalidade. Alguns o fazem como carreira, outros como hobby. Mas, sem dúvidas, a arte precisa ter seu espaço, assim como se concilia a profissão, a espiritualidade, vida social, esportes etc.

Sou, como muitos, um admirador da linguagem. Juntar palavras não só é minha maneira de expressar o que penso, como se tornou um caminho para manifestar o que sinto.

Gosto de escrever porque é infinito. Palavras assumem significados, que mudam e alcançam diferentes pontos de interpretação. A arte vai além da precisão dos nossos sentidos; o sentimento a altera, o momento a modifica, o contexto interage.

Gosto de escrever porque a escrita flutua. Ela não é uma obra pronta, com um significado preso em si. Ela alcança em cada um diferentes interpretações, adquire em cada momento sua própria versão. Varia junto ao tempo, às experiências e às identificações.

Gosto de escrever porque crio, apago, decido por vírgulas ou ponto final. Opto por novos parágrafos ou mais travessões. Dou vida, forma e sentido a uma própria expressão de mim. E melhor – que pode encontrar em outros uma nova tradução.

Assim sigo escrevendo. Sem especializações ou gêneros, apenas me permito manifestar. Deixo para cada momento sua própria forma de inspiração, forma e conteúdo.

Encorajo a quem estiver disposto a me ouvir que realize suas próprias publicações pessoais. Escritos, desenhos, fotografias, músicas, seja o que for. Tudo que nós exteriorizamos leva consigo parte de nossa essência – do que somos, sentimos, pensamos e do que temos a oferecer de diferente.

A arte que nasce em mim, toma forma em si, e ganha vida em ti. Toda contribuição artística pressupõe o mesmo valor: nutrir a vida – de muitos, de um ou em si.

(Marcelo Penteado)

Ao que é bem-vindo

A arte que nasce em mim toma forma em si e ganha vida em ti.
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