Safra de Gurus


 

2015, Rio de Janeiro

2015, Rio de Janeiro

 

É preciso ter bastante cuidado para não sobrecarregar a mente com ensaios sobre verdades.

São tantas coisas sendo ditas, por tantos heróis de si mesmos. Gurus de palavras bem orquestradas.

A causa, provavelmente nobre, de iluminar caminhos terceiros pode camuflar a frustração de quem sequer encontrou-se por completo.

Indispensável, por sua vez, a oxigenação de estar perdido. Do sentimento à percepção. O jogo de xadrez com a mente, a conversa múltipla de uma só voz. A desproporção plural e superior de pensamentos por segundo.

A indecisão se alimenta de possibilidades que procriam na mente, em um descontrole desenfreado.

Tudo que se sente enquanto não se sabe com exatidão. Até perceber a beleza de confundir no horizonte esperança e consolação. Tolerar o medo do não saber é o que nos reconecta a confiar nos próprios sentidos.

Como passar por isso, se não só?

Embora a inércia seja a vitória da morte, a vida não é exatamente seu oposto. Há no conflito o combustível da alternância – a mais pura fração incandescente do encontro. 

Um momento é a sobreposição de outro. O espaço encontra significado entre uma vírgula e a eternidade. Ao final, apesar do tanto que se fala, precioso é o que se escuta no silêncio.

(Marcelo Penteado)

 

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