Memórias escritas, caminhos já feitos


Madrid, 2011

Um outono me disse que outros virão. Quanto ao tempo, tranquilizei-me.

Foi tamanha certeza que me deu segurança para seguir incerto. Perto do longe, por um pouco mais de tempo.

Caminhei por vilas, com becos guardados de silêncio e sombra. Nada que desse mais medo que estar forrado em lãs, guardado do céu. Justamente quando não tive endereço, senti a presença de casa.

Sem nuvens, por terra, pisei sensível para me guiar sem chão. Entre pegadas e memórias, optei pelo qual podia levar comigo.

Vi o verão tirar férias em outro lugar. Sempre um prazer.

Continuei e não só meu cabelo cresceu. Quanto mais calado, mais meus pensamentos me ensinaram a hora exata de falar. Logo descobri que eram raras.

Por falar em memórias, se bem me lembro, reparei mais folhas que pedras no caminho.

Levei meses para entender que a primavera estava em meus olhos.

(Marcelo Penteado)

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A arte que nasce em mim toma forma em si e ganha vida em ti.
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