Velhas verdades


Madrid 2013

A vida tem uma capacidade nada delicada de nos dar verdadeiras lições. Por mais que ignoremos alguns sinais ou silenciamos algumas vozes internas, o momento sempre chega.

A mudança é inevitável. O medo não pode cegar, nem a insegurança tornar-se dominante. Na verdade, é preciso ter muita força para seguir em frente, mesmo quando a mão não tateia os próximos metros do caminho.

Às vezes, inclusive, é melhor calar a insistência das esperanças e fomentar novos sonhos. Abrir espaços. Destampar ao invés de tentar prender. Suportar as oscilações, enfrentar as incertezas e, então, ao seu tempo, moldar sua própria afirmação.

Dominar as artimanhas do desespero. Dormir com a desilusão e acordar vacinado. Olhar para trás, e superar. Reconhecer o chamado da mudança e deixar para trás o que não tem mais sentido, independente do seu valor.

Continuar apesar de tudo. Não por orgulho, nem desapreço ou por indiferença. Por nada. O único motivo para ir é não ficar. A redenção do basta.

Por entre os altos e baixos existem silêncios nada doces de serem experimentados. Manifestos de impotência, verdades tristes. Quando a dor parece ser insuportável, a vida faz questão de nos provar que temos uma força infinita. Podemos nos encarar até o final, mas seremos nós que apagaremos a luz.

Do convívio com a dor nasce o forte. Com a fragilidade que comove o que parecia ser invencível. A superação que reverte a descrença com a sabedoria que só o tempo sabe ensinar.

Podemos não saber o que a vida nos trará amanhã, é sempre uma surpresa. Podemos também não saber como lidar com tantas coisas de ontem, é sempre um desafio.

Podemos tudo, inclusive, renovar.

Deixar novos motivos tirarem os sorrisos para dançar; permitir que a curiosidade suspeite de novos ares; reaprender que, entre um tchau e o novo, há um momento bem-vindo à releitura do que é a felicidade.

(Marcelo Penteado)

Ao que é bem-vindo

A arte que nasce em mim toma forma em si e ganha vida em ti.
outubro 2020
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