Se essa página


Rio de Janeiro, 2013

Se essa página em branco fosse minha vida, seria difícil não acreditar em liberdade. Ora, se assim fosse, como se cada palavra escrita representasse um suspiro de viver, ou o destino está atrasado ou eu realmente sou o autor da minha própria história.

Ainda assim pensando, com simplicidade se apresentariam algumas verdades: não é que cada palavra escolhida faria total diferença? Quando a linha acaba e o espaço é preenchido, todavia ainda há novos espaços em branco.

Não seria melhor continuar ao invés de tentar reescrever?

Então cada fase seria um novo parágrafo. Insistir ou mudar de assunto seria uma escolha absolutamente minha. Enredo, tema, personagens. Assim decidiria pelo tamanho ou onde pôr vírgulas. Até entre a dúvida por perguntas ou afirmações há um momento para pontos finais.

Poderia falar de amor, descrença ou política. Que farei eu deste texto? Não é que a escolha é mesmo minha?

Cedo ou tarde seria preciso encontrar harmonia. Isto é, se esta página fosse mesmo minha vida, acabei de chegar à metade do caminho e nada de ninguém me ajudar. Quanta responsabilidade!

Agora, ciente, poderia deixar a confusão para trás. Trataria de priorizar os bons pensamentos, estes sim selecionam as melhores palavras. Criam as melhores histórias. Seria verdadeiro em minha trama, sincero em meu roteiro e autêntico em minha mensagem. Afinal, a história é minha.

Largaria tudo e me entregaria à poesia. Entre a vida e a ficção, aposto que ambas são sinônimos de criação. Assim, criaria. Por cada novo espaço, novos motivos e novas orações. Leve e fluído.

Se essa metáfora fosse uma semente e encontrasse ambientes férteis, não ficaria mais natural o desabrochar de velhas vidas? Páginas seriam escritas com mais significância e a futuridade dos espaços em branco seria respeitada como ela merece – impávida; infinita.

Mas se toda esta página, que já não está mais em branco, fosse apenas uma página e não uma metáfora sobre a vida, que opção teria senão esquecer este texto, partir para a próxima e, virar a página?

 (Marcelo Penteado)

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